Kiko Martins, uma criatividade imparável

Kiko Martins, uma criatividade imparável

Kiko Martins © ffmag

Kiko Martins é, provavelmente, um dos cozinheiros mais famosos e com maior projeção em Portugal. Trabalhador incansável, cérebro criativo, e um desportista consciente, assíduo da prova desportiva Ironman, está sempre a pensar num novo projeto. 

Nasceu no Brasil, era o mais novo de oito irmãos e com dez anos a sua família mudou-se para Portugal. Com o diploma de Gestão de Marketing na mão, Kiko sabia que a sua vida pertencia à cozinha e decidiu matricular-se na prestigiosa escola Le Cordon Bleu, em Paris. Ao terminar, Kiko estava entre os melhores alunos da sua turma, facto que lhe abriu as portas de grandes cozinhas famosas, onde continuou a sua formação.

Quando conheceu a sua atual mulher, mãe dos seus quatro filhos, a sua vida deu uma reviravolta e juntos realizaram o seu verdadeiro projeto vital, um voluntariado de 14 meses em Moçambique, um dos países mais pobres do mundo. Quando este terminou, decidiram então continuar a aventura e viajar por 26 países conhecendo culturas, tradições e, como não podia deixar de ser, gastronomias locais. 

Ao regressar a Portugal em 2008, com a mochila carregada de conhecimentos adquiridos nestas viagens, o chef Kiko (como é conhecido em Portugal pela sua face televisiva, pois já participou em vários programas de cozinha, que lhe trouxeram grande fama), já sabia o que é que queria fazer: Trazer as cozinhas do Mundo a Portugal. Em 2013 abriu o seu primeiro restaurante, O Talho, e desde então ainda não parou de abrir e surpreender os lisboetas com novos projetos culinários. Atualmente, gere ao redor de trezentas pessoas e quatro restaurantes na capital do Tejo e, apesar de receber inúmeras propostas para internacionalizar o negócio, o chef recusa-as todas e tem bem claro o seu objetivo: desenvolver o conceito de “Comer o Mundo” em Portugal.

A Cevicheria. Kiko Martins

A Cevicheria © GKM

 

Onde é que vai buscar inspiração para os seus restaurantes?
A inspiração para os restaurantes vem de uma coisa muito importante da qual hoje em dia nos esquecemos: Observar. Com as pressas, as preocupações, não reparamos nas pessoas, no seu comportamento, tentar entender onde querem ir. Por isso, a minha arte é observar e ver onde é que as pessoas querem ir, quais são as suas tendências.

Tem quatro restaurantes icónicos em Lisboa: A Cevicheria, O Talho, o Boteco e Las Dos Manos, cada um com a sua própria identidade e nada parecidos entre eles.
Todos os espaços são diferentes, mas a ideia é trabalhar sempre com ingredientes portugueses, para oferecer o Mundo a Portugal. No Boteco isso é fácil conseguir, pois é brasileiro, o Las Dos Manos é uma mistura entre comida mexicana e japonesa, A Cevicheria é obviamente peruana. O Talho já é outra coisa. Aí trabalhamos para um segmento médio-alto, o que implica que não podemos agradar a todos, porque quando tentamos agradar a todos, acabamos por não agradar a ninguém.

Por outro lado, damos importância a tudo, desde as luzes, a decoração, o tipo de ementa, ou a forma em que os ingredientes são explicados, etc.

Restaurante Las Dos Manos. Kiko Martins

Las Dos Manos © GKM

É pai de quatro filhos, treina diariamente para participar nos Ironman, qual é o motor ou o combustível do Kiko Martins?
Não existe um motor específico, só existe a vontade de querer continuar a fazer coisas. Gozo imenso com a gastronomia, pensar receitas, dar formação aos cozinheiros, ver como vão crescendo, como se transformam em chefs de cozinha, isso dá-me imensa satisfação...

O desporto também é fundamental para mim. Sem ele não poderia continuar. Quanto mais ativo estou, mais produtivo sou. 

Qual é o seu novo reto?
Tenho um reto desportivo: no próximo ano ir a Vitoria Gasteiz para correr o Ironman.
Profissionalmente, quero abrir outro estabelecimento na primeira metade de 2023, se bem que em breve terei mais novidades.

O Boteco. Kiko Martins

O Boteco © GKM

Comer o Mundo é o seu projeto de vida. Como é que se vê no futuro?
Este projeto tem sido muito especial para mim. Se bem que aos 43 ou 44 anos, a nossa capacidade de trabalhar na cozinha é diferente da que temos aos 30. Cada vez me vejo mais como alguém que quer muito estar na cozinha, mas que quer estar de uma forma mais inteligente, não tanto a cozinhar, mas a dirigir, a orientar. Cada vez quero mais sítios com balcão, onde possa estar em contato com os clientes.

Como é que vê o futuro da gastronomia portuguesa?
Sou muito otimista. Temos crescido imenso nos últimos anos. Estamos num muito bom momento em Portugal e, se bem que é um país pequenino, é um país com muita tradição e muita cultura. Cada vez há mais Estrelas, no entanto os preços cada vez estão mais altos, incluindo o dos produtos. Há uns anos atrás, comer num restaurante com Estrela Michelin em Portugal era muito mais barato do que fazê-lo num restaurante da mesma categoria em Espanha. Hoje em dia, já quase não há diferencia.

Restaurante O Talho. Kiko Martins

O Talho © GKM

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