Eneko Atxa, um cozinheiro honrado à conquista de Lisboa

Eneko Atxa, um cozinheiro honrado ŕ conquista de Lisboa

Eneko Atxa © ffmag

O cozinheiro biscainho Eneko Atxa acaba de inaugurar em Lisboa um novo projeto no qual se misturam a tradição e a vanguarda da gastronomia basca num emblemático espaço da zona de Alcântara. Numa entrevista à FaceFoodMag fala-nos do seu novo restaurante Eneko Lisboa na capital do Tejo no emblemático e antigo Alcântara Café, no bairro que tem o mesmo nome.

Eneko Atxa é um rapaz jovem, cordial e de olhar tímido. Fala com uma voz suave e é delicado nas suas expressões. Os seus gestos demonstram uma humildade infinita. E, contudo, o chef do Amorebieta (Biscaia) converteu-se num verdadeiro Midas do fogão. A sua meteórica trajetória é um bom exemplo disso: em 2012, apenas 7 anos depois de abrir o seu restaurante Azurmendi, ganha a sua terceira estrela Michelin. Cinco anos mais tarde, «o filho da Teresita e do Jesús Mari», como é conhecido na sua aldeia, ganhou outras duas das cobiçadas estrelas no Eneko Larrabetzu e no Eneko Bilbao, e está presente através da sua cozinha em Tóquio, Londres e, desde final de setembro, em Lisboa.

Restaurante Eneko Lisboa.

Restaurante Eneko Lisboa  © Grupo Penhalonga

O Eneko Lisboa, conta-nos o chef, emocionado, é uma aposta pessoal sua. Desde o princípio ficou logo atraído pela cidade, pelos seus habitantes, pela sua cultura, mas também pela sua gastronomia. Para além disso, o cozinheiro diz que o português é um comensal que sente verdadeiro amor pela cozinha e que demostra uma sensibilidade especial perante a gastronomia. Tudo isto fez com decidisse dar o salto para Portugal e instalar-se na capital, como fez há um ano um dos seus mentores, o donostiarra Martín Berasategui, com o seu Fifty Seconds. Este novo restaurante representa uma aposta dupla, já que conjuga dois projetos num. Por um lado, temos o Eneko Lisboa, um espaço íntimo para 24 comensais, com cozinha em direto e uma atenção muito cuidada, inspirado na forma de trabalho do Azurmendi. Em segundo lugar, o Basque, que é um espaço muito mais informal, baseado na gastronomia basca de rua mas com um toque contemporâneo.

Os restaurantes situam-se num café antigo da cidade, o Alcântara Café, que, segundo Eneko nos conta, é «um sítio que tem uma alma, um espírito muito especial». Na verdade, quando se instalaram nele, o chef pediu expressamente que «não se tocasse em nada».

Chefs Eneko Atxa e Lucas. Restaurante Eneko Lisboa

Eneko e Lucas  © Grupo Penhalonga

Quando lhe perguntamos, surpreendidos, como é capaz de abraçar tantos projetos em simultâneo e, para além disso, fazer de todos eles um êxito, e apenas com 42 anos, responde-nos, com a humildade que o caracteriza, que «não é uma questão de ter tempo ou não, mas sim de quem te rodeias». E acrescenta: «É isso que te permite diversificar». Na verdade, a equipa do Eneko Lisboa está a cargo de Lucas, um chef que esteve muitíssimos anos a trabalhar lado a lado com Eneko no Azurmendi e, como nos conta o próprio cozinheiro, «quando surge a oportunidade de abrir em Lisboa, quem melhor do que alguém que esteve tantos anos a trabalhar connosco para conduzir este projeto?».

Uma última pergunta: como se lida com a pressão do sucesso, da fama? «Nunca penso na fama. Acho que é preciso revalidar o reconhecimento todos os dias. Quando te levantas de manhã da cama deves fazê-lo despojado de tudo o que conseguiste ontem e hoje tens de voltar a conquistar tudo; as pessoas que vêm comer ao teu restaurante não estão interessadas no facto de ontem teres ganhado um prémio. Querem que lhes dês muito bem de comer e que as faças felizes. Não há melhor prémio do que conseguir isso.»

Tartar de vegetais. Chef Eneko Atxa

Tartar de vegetais  © Grupo Penhalonga

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